O que é pré-diabetes?
Receber um resultado de glicemia alterada pode causar preocupação. Mas o pré-diabetes não deve ser visto como uma sentença: ele é um sinal de atenção e uma oportunidade para cuidar da saúde antes que o problema avance.
O pré-diabetes acontece quando a quantidade de glicose no sangue está acima do considerado normal, mas ainda não atingiu os critérios utilizados para o diagnóstico de diabetes. Isso pode indicar que o organismo já apresenta dificuldade para utilizar adequadamente a insulina.
Sem acompanhamento e mudanças na rotina, algumas pessoas podem evoluir para o diabetes tipo 2. Entretanto, essa evolução não é inevitável. A identificação precoce permite agir no momento certo.
Quais valores indicam pré-diabetes?
As referências geralmente utilizadas são: glicemia em jejum de 100 a 125 mg/dL; hemoglobina glicada de 5,7% a 6,4%; ou glicemia de 140 a 199 mg/dL duas horas após o teste oral de tolerância à glicose.
Para comparação, valores a partir de 126 mg/dL na glicemia em jejum, 6,5% na hemoglobina glicada ou 200 mg/dL duas horas após o teste oral estão na faixa usada para o diagnóstico de diabetes. A interpretação e a confirmação devem ser feitas por um profissional.
Um resultado isolado não deve ser interpretado sem orientação. O médico poderá solicitar a repetição do exame, verificar situações que interferem nos resultados e considerar outros dados antes de confirmar o diagnóstico.
Pré-diabetes apresenta sintomas?
Na maioria das vezes, o pré-diabetes não provoca sintomas claros. Por isso, muitas pessoas só descobrem a alteração durante exames de rotina.
Quando a glicemia já está mais elevada, podem aparecer sede excessiva, vontade frequente de urinar, cansaço persistente, visão embaçada, fome aumentada ou feridas que demoram a cicatrizar.
Esses sinais também podem estar relacionados a outras condições. O diagnóstico não deve ser feito somente pela presença ou ausência de sintomas.
Quem apresenta maior risco?
Histórico familiar de diabetes, sobrepeso ou obesidade, sedentarismo, pressão alta, alterações no colesterol ou nos triglicerídeos, síndrome dos ovários policísticos, histórico de diabetes gestacional e idade mais avançada estão entre os fatores associados a maior risco.
Ter um ou mais desses fatores não significa que a pessoa obrigatoriamente desenvolverá diabetes. Eles indicam que os exames de rotina e o acompanhamento merecem mais atenção.

O que fazer depois de receber o resultado?
O primeiro passo é levar os exames ao médico. A avaliação profissional é importante para confirmar o resultado, investigar outros fatores de risco e decidir a frequência do acompanhamento.
Não é necessário excluir todos os carboidratos. Observe a quantidade, a qualidade e a combinação dos alimentos. Saladas e legumes, uma fonte de proteína, feijão ou outra leguminosa e uma porção adequada de carboidrato podem formar uma refeição possível para o dia a dia.
Reduzir bebidas açucaradas, doces frequentes e produtos ultraprocessados também pode ajudar. Não é preciso buscar uma alimentação perfeita: começar com substituições possíveis já representa um avanço.

Movimente-se dentro das suas possibilidades
Caminhar, dançar, pedalar, fazer exercícios em casa e praticar fortalecimento são formas de aumentar o movimento. A atividade física regular faz parte das estratégias recomendadas para reduzir o risco de progressão para diabetes tipo 2.
O tipo, a intensidade e a duração devem respeitar a saúde e a realidade de cada pessoa. Quem está sedentário ou tem alguma condição clínica deve conversar com um profissional antes de iniciar uma rotina nova.

Cuide do peso sem soluções extremas
Para pessoas com sobrepeso ou obesidade, uma redução moderada do peso já pode trazer benefícios metabólicos. Isso não significa aderir a dietas muito restritivas nem buscar emagrecimento rápido.
O objetivo é construir hábitos que possam ser mantidos. Em algumas situações, o médico também poderá avaliar medicamentos, como a metformina. Essa decisão depende do conjunto de fatores de risco e nunca deve ser tomada por conta própria.
É possível evitar a evolução para diabetes tipo 2?
Em muitos casos, mudanças no estilo de vida podem retardar ou reduzir o risco de progressão. Alimentação saudável, atividade física e controle do peso, quando necessário, formam a base dessa prevenção.
Cada organismo responde de maneira diferente. Algumas pessoas podem desenvolver diabetes mesmo se cuidando, especialmente quando existem fatores genéticos importantes. Isso não representa fracasso pessoal.
Depois que fui diagnosticada com diabetes tipo 2, percebi que cuidar da alimentação não precisava significar viver com medo da comida. Aos poucos, aprendi a observar as porções, combinar melhor os alimentos e prestar atenção à resposta do meu organismo.
Comece pelo que é possível
Se você recebeu um resultado de pré-diabetes, escolha uma primeira mudança possível: melhorar uma refeição, caminhar alguns minutos ou marcar uma consulta. Pequenas decisões repetidas ao longo do tempo podem fazer diferença.
O acompanhamento continua sendo essencial para repetir os exames, avaliar os resultados e ajustar os cuidados às suas necessidades.

