Natural também exige cuidado

Plantas medicinais contêm substâncias capazes de agir no organismo. Essa é justamente a razão pela qual podem ter usos terapêuticos — e também provocar reações adversas, intoxicações ou interações com medicamentos.

A Anvisa alerta que a ideia de que produtos naturais não fazem mal está equivocada. O uso tradicional pode oferecer pistas importantes, mas não garante que qualquer planta, quantidade ou forma de preparo seja segura para todas as pessoas.

Ervas frescas e secas organizadas para diferentes formas de uso

Planta medicinal, chá e fitoterápico são a mesma coisa?

Planta medicinal é uma espécie usada com finalidade terapêutica. Ela pode aparecer fresca, seca ou em preparações caseiras. Já o medicamento fitoterápico é produzido a partir de matéria-prima vegetal e precisa atender a requisitos de qualidade, segurança e eficácia definidos pela regulamentação.

Usar uma erva como tempero culinário não é necessariamente igual a consumir extratos, cápsulas, tinturas ou infusões concentradas. A concentração e a exposição podem ser muito diferentes.

Confirme qual planta você está usando

Nomes populares podem indicar espécies diferentes conforme a região. Plantas parecidas também podem ser confundidas, e partes distintas da mesma planta — folha, raiz, casca, flor ou semente — podem ter composições e riscos diferentes.

Prefira produtos com identificação completa, origem conhecida, lote, validade, modo de uso e fabricante responsável. Evite plantas vendidas sem rótulo, misturas de composição incerta e espécies colhidas em locais sujeitos a agrotóxicos, poluição, fungos ou contaminação por animais.

Ingredientes naturais e ervas preparados em pequenas porções

Quantidade e preparo importam

Mais não significa melhor. Uma dose maior, preparo mais concentrado ou uso por tempo prolongado pode aumentar a toxicidade. Infusão, decocção, extrato, óleo essencial e tintura não são formas intercambiáveis.

Não ingira óleo essencial nem aplique preparações concentradas na pele sem orientação adequada. Siga a indicação de uma fonte confiável ou de um profissional qualificado e não improvise doses usando receitas encontradas nas redes sociais.

Plantas podem interagir com medicamentos

Produtos vegetais podem aumentar, reduzir ou alterar o efeito de remédios. Há interações relevantes com anticoagulantes, sedativos, medicamentos para pressão, tireoide, epilepsia, transplantes e outras condições.

Informe ao médico, farmacêutico e nutricionista tudo o que usa: chás frequentes, cápsulas, extratos, tinturas e suplementos. Leve uma foto do rótulo ou a embalagem para facilitar a avaliação. Não suspenda um medicamento prescrito para iniciar uma planta medicinal.

Mulher adulta refletindo sobre cuidados com a saúde e a glicemia

Cuidados especiais para quem tem diabetes

Algumas plantas e suplementos podem alterar a glicemia. Quando combinados com insulina ou medicamentos que reduzem a glicose, podem contribuir para hipoglicemia; outros produtos podem dificultar o controle ou interagir com o tratamento.

As evidências de benefício para suplementos usados no diabetes variam e muitas vezes são insuficientes. A American Diabetes Association não recomenda suplementação herbal de rotina para pessoas sem deficiência ou indicação específica. Se decidir usar um produto com a equipe, combine como acompanhar a glicemia e o que fazer diante de valores fora da faixa-alvo.

Quem precisa de atenção redobrada?

Gestantes, pessoas que amamentam, crianças, idosos e pessoas com doença no fígado ou nos rins devem evitar o uso por conta própria. O mesmo vale para quem usa muitos medicamentos, anticoagulantes ou tem cirurgia ou procedimento marcado.

Uma planta segura para um adulto saudável pode não ser segura nessas situações. A recomendação deve considerar diagnóstico, dose, outros tratamentos e tempo de uso.

Um roteiro simples antes de usar

Pergunte: qual é o nome científico e a parte utilizada? Para que serve? Há evidência para esse objetivo? Qual é a forma de preparo, quantidade e duração? O produto é regularizado? Pode interagir com meus remédios ou condições de saúde? Quem acompanhará os efeitos?

Comece somente depois de esclarecer essas questões. Use um produto por vez, registre quando iniciou e observe sintomas e medidas relevantes, como glicemia ou pressão, quando a equipe orientar. Guarde a embalagem e não compartilhe a sua indicação com outra pessoa.

Quando interromper e procurar ajuda

Suspenda o uso e procure orientação diante de reação na pele, inchaço, falta de ar, tontura intensa, desmaio, vômitos persistentes, confusão, sangramento, pele ou olhos amarelados, urina escura ou alteração importante da glicemia.

Falta de ar, inchaço de boca ou garganta, desmaio, convulsão ou suspeita de intoxicação exigem atendimento urgente. Leve a embalagem, o nome da planta e a quantidade utilizada sempre que possível.

Fontes consultadas