O que é neuropatia periférica diabética?
Neuropatia diabética é uma lesão nos nervos associada ao diabetes. A forma periférica é a mais comum e afeta principalmente pés e pernas; com o tempo, também pode alcançar mãos e braços. Em geral, começa nos dois pés e avança de maneira gradual.
A glicose acima da faixa-alvo por períodos prolongados participa do dano aos nervos e aos pequenos vasos que os nutrem. Pressão alta, alterações do colesterol, tabagismo e maior tempo de diabetes também podem aumentar o risco.

Quais sinais merecem atenção?
Os sintomas podem incluir formigamento, sensação de agulhadas, queimação, choques, dor em pontadas, sensibilidade exagerada ao toque, cãibras, fraqueza ou instabilidade ao caminhar. Algumas pessoas sentem os pés muito quentes ou frios, ou têm a impressão de usar meias quando estão descalças.
Também pode ocorrer dormência e dificuldade para perceber dor, calor ou frio. A ausência de desconforto não exclui neuropatia: algumas pessoas apresentam perda de sensibilidade sem notar sintomas claros.
Como é feito o diagnóstico?
O profissional avalia os sintomas, o histórico do diabetes, a pele, o formato dos pés, a circulação, os reflexos e a sensibilidade. Um dos testes usa um monofilamento — um fio próprio para verificar se determinados pontos do pé percebem o toque.
Em algumas situações, podem ser necessários exames de condução nervosa ou outros testes. Como deficiência de vitamina B12, problemas da tireoide, doença renal, álcool e certos medicamentos também podem afetar os nervos, é importante não atribuir todo formigamento automaticamente ao diabetes.

Por que os pés precisam de atenção diária?
Quando a sensibilidade diminui, uma bolha, corte, queimadura ou objeto dentro do sapato pode passar despercebido. Se também houver circulação reduzida, a ferida pode ter mais dificuldade para cicatrizar e maior risco de infecção.
Olhar os pés todos os dias ajuda a encontrar mudanças cedo. Use um espelho para observar a sola ou peça ajuda se não conseguir enxergar ou alcançar toda a região.

Cuidados simples que protegem
Observe cortes, rachaduras, bolhas, vermelhidão, inchaço, calos, alterações nas unhas e mudanças de cor ou temperatura. Lave os pés com água morna, não quente, seque bem — especialmente entre os dedos — e hidrate a pele, evitando creme entre os dedos.
Não ande descalço, mesmo dentro de casa. Use meias e calçados que não apertem, confira o interior dos sapatos antes de calçá-los e não retire calos nem use produtos corrosivos por conta própria. Se tiver dificuldade para cortar as unhas ou alcançar os pés, procure ajuda profissional.
Existe tratamento?
Manter a glicemia na meta individual ajuda a prevenir ou retardar o dano e pode evitar que ele piore. O cuidado também inclui pressão arterial, colesterol, alimentação, atividade física segura, abandono do tabagismo e uso correto dos medicamentos prescritos.
Existem medicamentos específicos para aliviar a dor neuropática, mas a escolha depende de outras condições de saúde e dos possíveis efeitos adversos. Analgésicos comuns nem sempre resolvem esse tipo de dor. Não se automedique e não espere que cremes, vitaminas ou produtos vendidos como naturais revertam uma lesão nervosa já estabelecida.
Quando procurar atendimento sem esperar?
Converse com a equipe se surgir formigamento, queimação, dor, perda de sensibilidade, fraqueza, desequilíbrio ou mudança no formato do pé. Pessoas com diabetes devem realizar avaliação completa dos pés pelo menos uma vez por ano e com maior frequência quando já existe neuropatia ou outro problema.
Não espere a próxima consulta se aparecer bolha, ferida, úlcera, unha encravada, inchaço, vermelhidão, calor, secreção, alteração de cor ou dor nova. Febre, vermelhidão que se espalha, escurecimento da pele ou mal-estar junto com uma ferida exigem avaliação urgente.
